Michélle Aguilher da Costa — Psicóloga Clínica

Terapia para trauma: como trabalhar um trauma emocional e quando procurar ajuda

Talvez você já tenha tentado de tudo: mudar a rotina, mudar de cidade, se ocupar mais, não pensar nisso. E ainda assim aquilo volta — no meio da noite, numa data do calendário, num tom de voz parecido com o de alguém que te machucou. Você olha para a própria vida, vê que "está tudo bem" por fora, e não entende por que continua doendo. Não é falta de força de vontade: pode ser a marca de algo que ficou preso e nunca foi de verdade cuidado.

Eu sou Michélle Aguilher da Costa, psicóloga clínica brasileira, com formação em psicanálise, terapeuta EMDR e neuropsicóloga (CRP 06/114142). Tenho formação em Psicologia Intercultural na Prática Clínica para Brasileiros no Exterior, em extensão universitária, e é com esse olhar que atendo online, em português, quem vive no Brasil e quem vive fora. Escrevo na primeira pessoa porque é assim que converso: sem jargão, do meu lado da tela para o seu.

Sinais de que o que você sente pode ser trauma

Trauma não é só aquilo que a gente costuma imaginar — uma violência, um acidente, uma perda brusca. Ele também se instala em coisas silenciosas: uma infância sem acolhimento, uma rejeição antiga, anos ouvindo que você não era suficiente. O que marca não é o tamanho do fato, e sim o quanto ele ficou sem lugar para ser processado.

Alguns sinais que costumam aparecer:

Reconhecer-se em vários desses pontos não é um diagnóstico — é um convite a olhar com cuidado para a sua história.

O que é trabalhar um trauma em terapia

Trabalhar um trauma não é reviver a dor em detalhes nem forçar você a contar o que aconteceu. É construir, com cuidado, as condições para que o que ficou preso possa ser processado. No meu trabalho, duas abordagens caminham juntas:

O EMDR atua onde a palavra não chega. Por isso, no meu trabalho, as duas abordagens se tornam complementares.

O EMDR não é mágica, não é hipnose e não apaga memória. Você fica desperta, no controle, e é o seu próprio cérebro que faz o trabalho. Nem a psicanálise nem o EMDR são promessa de cura: cada processo é único, o ritmo é seu. Escrevi em detalhe sobre isso em Terapia EMDR em português para brasileiros no exterior.

Trauma de infância: o que ficou sem nome

Muita gente chega dizendo que "não teve trauma nenhum" — porque não houve um fato grave, porque teve comida na mesa, porque os pais fizeram o que podiam. E, ao mesmo tempo, essa pessoa não consegue falar do que sente sem um nó na garganta.

É aqui que o trauma de infância costuma se esconder. Ele nem sempre vem de um acontecimento único, mas de repetições: a criança que aprendeu que não podia incomodar, que o choro não era atendido, que o amor vinha com condição, que precisava ser forte para a casa funcionar. Não é sobre culpar quem cuidou de você — é sobre reconhecer que aquilo deixou marcas, e que elas continuam falando na vida adulta, na sensação de nunca ser suficiente e de ter que dar conta sozinha.

Trabalhar o trauma de infância não é voltar ao passado para ficar lá. É entender como aquele tempo continua organizando o seu presente — e abrir espaço para que você não precise mais viver a partir dele.

Trauma de abandono: o medo de ficar

Talvez a maior dificuldade não seja ficar sozinha, e sim o que a solidão faz você sentir. O trauma de abandono aparece assim: um medo profundo de ser deixada, que faz você se anular para não perder o outro — ou se afastar antes de ser afastada.

Esse medo costuma ter raiz antiga: uma ausência, uma separação, uma instabilidade que você aprendeu a prever para se proteger. Na vida adulta, ele vira um roteiro — a pessoa que não consegue dizer não, a que aceita menos do que merece, a que confunde intensidade com amor, ou a que não deixa ninguém chegar perto. A mesma história se repete em cada relação, e a pessoa começa a acreditar que o problema é ela.

Não é. É um padrão aprendido, e padrões aprendidos podem ser trabalhados.

"Trauma não é fraqueza" — o que a gente diz para si

Se tem uma frase que eu mais escuto no consultório é esta: "eu não deveria estar assim". Junto vêm as outras: "tem gente pior", "eu já superei isso", "eu preciso ser forte", "não é para tanto".

Essas frases não são verdade. São defesas — manobras que a gente aprendeu para aguentar quando não havia com quem contar: controlar, agradar, se ocupar, racionalizar, nunca parar. Funcionou por um tempo. Se você se reconhece nessas estratégias, vale olhar com carinho para o que você aprendeu a fazer para ficar bem quando não estava bem — esse é o espelho da Armadura, e não um defeito seu.

Trauma não é falta de força. Ninguém escolhe sentir medo, nem escolhe reviver o que passou. Procurar ajuda não é admitir derrota: é parar de carregar um peso que nunca foi só seu.

Como superar um trauma (não é esquecer)

Superar um trauma não é apagar o que aconteceu, e ninguém deveria prometer isso a você. A memória continua lá; o que muda é o lugar dela. O que hoje chega como algo que ainda dói pode, aos poucos, passar a ser uma parte da sua história que você conta sem desmoronar.

Na prática, isso costuma significar coisas concretas, e nenhuma delas é rápida: dormir sem medo, responder a um gatilho sem se perder, sustentar uma relação sem se anular, sentir de novo sem se assustar com o que sente. É um caminho de idas e voltas, não uma linha reta, e o tempo de cada pessoa é diferente.

Quando procurar ajuda

Não existe um "ponto certo" para começar, mas alguns sinais pedem apoio profissional:

Esse último ponto merece ser dito com clareza: se você está em risco de vida ou em crise agora, não espere uma sessão. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia: ligue 188 ou acesse cvv.org.br. Se você mora fora, procure o serviço de emergência do país onde você está. Terapia é um cuidado importante, mas não substitui uma emergência.

Um convite tranquilo

Se você leu até aqui e algo em você se reconheceu, talvez este seja o momento de olhar para isso com alguém, em português, sem precisar ter tudo claro na cabeça antes de começar.

Quando quiser, marque uma primeira conversa aqui no site. É uma sessão de 50 minutos, online, com o valor de R$ 250,00, e sem compromisso de continuar — você decide depois se faz sentido seguir. Caso não encontre um horário que caiba na sua rotina, pode me chamar no WhatsApp. Estarei por perto.

Por Michélle Aguilher da Costa, psicóloga clínica · CRP 06/114142. Publicado em · Revisado em .

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